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terça-feira, 17 de março de 2009

Jeremias

Jeremias estava rodeado pelos fortes pinheiros bravos e por alguns eucaliptos sempre sequiosos. Caminhava a passo acelerado, trazendo apenas vestido uns calções e uma t-shirt, agasalhos frágeis para a temperatura amena do inicio da Primavera. Na mão carregava apenas uma garrafa de água, daquelas de meio litro, e já com metade cheia de ar. Respirava ofegante, virtude dos cigarros que fumara abundantemente ano após ano no corre-corre do dia-a-dia. Agora que necessitava dos seus pulmões, estes traiam-no, tal como ele os tinha traído a cada maço de cigarros fumado.
Mais um gole da garrafa, e mais ar ocupa o lugar daquela preciosa água que se vai escasseando. A pouca luz no final de tarde tornava o ambiente sombrio, e os pinheiros tornavam-se ameaçadores, brandindo as suas agulhas como acutilantes punhais movidos pela força de um vento suave, mas arrepiante.
O coração trota nos seus ouvidos, tal como martelo em bigorna. sente a sua pulsação galopante no peito.
Aquela sensação começa a chegar. Veio em passos leves, à velocidade do crepúsculo, e instalou-se em si. Finalmente já não é só uma sensação. É agora um sentimento que se torna agudo quando a última gota de àgua lhe cai na boca, deixando a sua garrafa guardando algo que o cerca por todos os lados, ar.
Inevitavelmente, abandona o circuito de manutenção desenhado na mata e mete-se no carro, para ir pra casa.

No caminho fuma mais um cigarro.

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